Resposta curta: o sangramento menstrual é considerado intenso quando atrapalha a sua vida: precisar trocar o absorvente a cada uma ou duas horas, acordar à noite para trocar, usar absorvente e coletor juntos, ter coágulos grandes ou menstruação por mais de sete dias. Ele pode causar anemia e cansaço constante. As causas mais comuns são miomas, pólipos, adenomiose e alterações hormonais, e a investigação começa com consulta, exame de sangue e ultrassom.
Sinais de alerta
- trocar o absorvente ou esvaziar o coletor a cada uma ou duas horas;
- acordar de madrugada para trocar ou sujar a roupa de cama;
- coágulos grandes;
- menstruação que dura mais de sete dias;
- deixar de sair, trabalhar ou fazer atividade física por causa do fluxo;
- cansaço, falta de ar, tontura, queda de cabelo e unhas fracas, que podem ser sinais de anemia.
A diretriz britânica do NICE define o sangramento intenso pelo impacto na qualidade de vida, e não por uma medida exata. Se o fluxo limita a sua rotina, ele merece avaliação.
Principais causas
A FIGO organiza as causas em dois grupos:
- estruturais, que aparecem nos exames: pólipos, adenomiose, miomas e, mais raramente, alterações pré-malignas ou malignas do endométrio;
- não estruturais: alterações da coagulação, falta de ovulação (comum na adolescência, perto da menopausa e na síndrome dos ovários policísticos), alterações do próprio endométrio e efeito de medicamentos.
Como é a investigação
- consulta sobre o padrão do ciclo, duração, coágulos e impacto na rotina;
- exame ginecológico;
- exames de sangue: hemograma e ferritina, para ver se há anemia ou falta de ferro, e outros conforme o caso;
- ultrassom transvaginal;
- histeroscopia, quando o ultrassom mostra alteração dentro do útero ou há fatores de risco.
Tratamento
- reposição de ferro, quando há anemia ou ferritina baixa;
- medicação sem hormônio no período menstrual, que reduz o fluxo;
- tratamento hormonal, como o DIU hormonal, progestagênios ou anticoncepcionais;
- tratamento da causa: retirada de pólipos ou miomas por histeroscopia, miomectomia por videolaparoscopia ou robótica, ou outras cirurgias conforme o diagnóstico.
Perguntas frequentes
Anemia por menstruação é comum?
Sim. O sangramento intenso é uma das principais causas de falta de ferro em mulheres. O cansaço que ninguém explica pode vir daí.
Trocar de anticoncepcional resolve?
Às vezes, alivia. Mas se o sangramento continua, é preciso investigar a causa, em vez de trocar de pílula várias vezes.
Sangramento depois da menopausa é preocupante?
Qualquer sangramento depois da menopausa precisa ser avaliado logo.
Preciso de cirurgia?
Na maioria dos casos, não. A cirurgia entra quando existe uma causa estrutural, como pólipo ou mioma, ou quando o tratamento clínico não funciona.
O seu fluxo não precisa limitar a sua vida
Se a menstruação já decide o que você pode fazer na semana, a gente investiga a causa e trata, começando pelo mais simples. As consultas são no Itaigara Memorial, em Salvador. Agende pelo WhatsApp.
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Referências
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88).
- Munro MG et al. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018.
- Iron Deficiency and Microcytic Hypochromic Anemia. StatPearls. NCBI Bookshelf.
- Stewart EA, Laughlin-Tommaso SK. Uterine Fibroids. N Engl J Med. 2024.
Conteúdo informativo revisado pelo Dr. Alexandre Amaral, cirurgião ginecológico com especialização em cirurgia minimamente invasiva e endometriose. CRM-BA 23614 | RQE 20180 | RQE 20181. Este texto não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.