Resposta curta: miomas são nódulos benignos do músculo do útero e são muito comuns: a maioria das mulheres terá pelo menos um até os 50 anos, e muitas nunca terão sintomas. Mioma sem sintoma geralmente só precisa de acompanhamento. O tratamento é indicado quando há sangramento intenso, anemia, dor, aumento do volume do abdômen, pressão na bexiga ou dificuldade para engravidar. Em muitos casos, é possível retirar só o mioma e preservar o útero, numa cirurgia chamada miomectomia.
Tipos de mioma
A localização importa mais do que o tamanho. A classificação da FIGO divide os miomas em:
- submucosos: crescem para dentro da cavidade do útero. Mesmo pequenos, costumam causar sangramento intenso e atrapalhar a gravidez;
- intramurais: ficam dentro da parede muscular;
- subserosos: crescem para fora do útero, às vezes presos por um “cabinho”. Podem pressionar bexiga ou intestino.
Sintomas
- menstruação muito intensa ou prolongada, com coágulos;
- cansaço e falta de ar por anemia;
- dor ou sensação de peso na pelve;
- aumento do volume do abdômen;
- vontade frequente de urinar ou intestino preso;
- dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais, em alguns tipos.
Quando tratar
- quando há sintomas que atrapalham a vida;
- quando há anemia;
- quando o mioma pode estar relacionado à dificuldade para engravidar;
- quando o crescimento é rápido ou há dúvida no exame.
Opções de tratamento
- acompanhamento com ultrassom, para miomas sem sintomas;
- medicação para reduzir o sangramento e tratar a anemia, por um período ou até a menopausa;
- miomectomia: retira os miomas e preserva o útero. Pode ser feita por histeroscopia, para miomas dentro da cavidade, sem cortes na barriga; por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, com pequenas incisões; ou por cirurgia aberta, em casos com miomas muito grandes ou numerosos;
- embolização das artérias uterinas, feita por radiologia intervencionista, em casos selecionados;
- histerectomia, a retirada do útero, reservada para quem não deseja mais engravidar e tem sintomas importantes, sempre discutida antes.
Recuperação
Depende da via. Na histeroscopia, a paciente costuma ir para casa no mesmo dia. Na videolaparoscopia e na robótica, a internação é curta e a recuperação costuma ser mais rápida que na cirurgia aberta. Depois de uma miomectomia, o intervalo até tentar engravidar e o tipo de parto são orientados caso a caso.
Perguntas frequentes
Mioma vira câncer?
Mioma é benigno. Existe um tumor maligno raro do músculo do útero, e crescimento muito rápido ou aspecto atípico no exame merecem investigação.
Mioma pode voltar depois da miomectomia?
Novos miomas podem surgir com os anos, principalmente em mulheres mais jovens. O acompanhamento segue depois da cirurgia.
Mioma impede a gravidez?
Depende do tipo. Os submucosos são os que mais atrapalham. Muitos intramurais e subserosos não interferem.
Vou ter que tirar o útero?
Na maioria dos casos, não. A histerectomia é uma opção entre outras, e a decisão é sua.
Preservar o útero é uma conversa importante
Se você recebeu indicação de tirar o útero por causa de mioma, vale entender todas as opções antes. A gente explica cada caminho, o que será preservado e como é a recuperação. As consultas são no Itaigara Memorial, em Salvador. Agende pelo WhatsApp.
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Referências
- Stewart EA, Laughlin-Tommaso SK. Uterine Fibroids. N Engl J Med. 2024.
- Fertility Sparing Management in Uterine Fibroids. StatPearls. NCBI Bookshelf.
- Munro MG et al. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88).
Conteúdo informativo revisado pelo Dr. Alexandre Amaral, cirurgião ginecológico com especialização em cirurgia minimamente invasiva e endometriose. CRM-BA 23614 | RQE 20180 | RQE 20181. Este texto não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.