Resposta curta: na cirurgia robótica, quem opera é o cirurgião. Ele fica em um console, com visão tridimensional ampliada, e comanda braços com instrumentos articulados que entram por pequenas incisões no abdômen. É uma evolução da videolaparoscopia, usada em ginecologia para endometriose, miomas e retirada do útero, entre outras cirurgias. A escolha entre robótica, videolaparoscopia ou outra via depende de onde está a lesão e da complexidade do caso.
Como funciona
- o cirurgião fica sentado no console, na mesma sala, e vê a pelve em 3D, com aumento;
- os movimentos das mãos dele são reproduzidos pelos instrumentos, que têm “punho” articulado e giram mais do que os da laparoscopia comum;
- o sistema filtra tremores e permite movimentos finos em espaços pequenos, como atrás do útero ou perto do intestino;
- a equipe fica ao lado da paciente durante toda a cirurgia.
Em que situações é usada em ginecologia
- endometriose profunda, principalmente em áreas de difícil acesso;
- miomectomia, quando há necessidade de suturas delicadas na parede do útero;
- histerectomia em casos selecionados;
- outras cirurgias pélvicas complexas.
Robótica é sempre melhor?
Não necessariamente. As revisões Cochrane que compararam a robótica com a videolaparoscopia em cirurgias ginecológicas benignas encontraram resultados parecidos em complicações na maioria dos estudos, com tempo de cirurgia e custo maiores na robótica, e com evidência ainda limitada. As duas técnicas são minimamente invasivas: incisões pequenas, menos dor e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta.
Por isso, a robótica é uma ferramenta, não um objetivo. Ela faz mais diferença em casos complexos, e a indicação é feita depois de entender o seu diagnóstico, os seus exames e o que precisa ser preservado.
Como é a recuperação
- internação curta, muitas vezes de um dia;
- dor geralmente controlada com analgésicos comuns;
- retorno às atividades leves em poucos dias e às atividades completas em algumas semanas, conforme a cirurgia feita.
Perguntas frequentes
É o robô que opera?
Não. O robô não toma decisões nem se move sozinho. Cada movimento é feito pelo cirurgião, em tempo real.
A cirurgia robótica tem cobertura do plano de saúde?
A cobertura varia conforme a operadora e o contrato. Isso é verificado caso a caso antes da cirurgia.
A cicatriz é menor?
As incisões são pequenas, de poucos milímetros a cerca de um centímetro, parecidas com as da videolaparoscopia.
Qualquer pessoa pode fazer?
A maioria das pacientes pode. Algumas condições clínicas e cirurgias anteriores são avaliadas antes da indicação.
A técnica vem depois do diagnóstico
Antes de falar em robô, a gente entende o seu caso. Se a cirurgia for indicada, você sabe exatamente por quê, qual técnica faz sentido e como será a recuperação. As consultas são no Itaigara Memorial, em Salvador. Agende pelo WhatsApp.
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Referências
- Lawrie TA et al. Robot-assisted surgery in gynaecology. Cochrane Database Syst Rev. 2019.
- Pickett CM et al. Surgical approach to hysterectomy for benign gynaecological disease. Cochrane Database Syst Rev. 2023.
- Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022.
Conteúdo informativo revisado pelo Dr. Alexandre Amaral, cirurgião ginecológico com especialização em cirurgia minimamente invasiva e endometriose. CRM-BA 23614 | RQE 20180 | RQE 20181. Este texto não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.