Resposta curta: endometriose é uma doença crônica, mas tem controle. A maioria das pacientes começa com tratamento clínico, com medicação hormonal e analgésicos, que reduz a dor e a atividade das lesões. A cirurgia, em geral por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, é indicada quando a dor não melhora com medicação, quando há endometriose profunda comprometendo intestino, bexiga ou ureter, em alguns endometriomas e em casos selecionados de infertilidade. A decisão depende dos sintomas, dos exames, da idade e dos planos de gravidez.
Tratamento clínico
A diretriz europeia de 2022 (ESHRE) recomenda como primeira linha:
- anti-inflamatórios e analgésicos para a dor;
- hormônios que reduzem a atividade das lesões: progestagênios (em comprimido, injeção, implante ou DIU hormonal) ou anticoncepcionais combinados, muitas vezes de uso contínuo, sem pausa para menstruar;
- outras opções em casos selecionados, quando as primeiras não funcionam ou não são toleradas.
O tratamento hormonal controla os sintomas enquanto é usado, mas não elimina as lesões. Por isso, não é indicado para quem está tentando engravidar.
Hábitos também contam: atividade física, sono, controle da dor crônica e, quando há dor na relação ou tensão do assoalho pélvico, fisioterapia pélvica com profissionais especializados.
Quando a cirurgia é indicada
- dor que continua apesar do tratamento clínico bem feito;
- efeitos colaterais que impedem o uso da medicação;
- endometriose profunda que compromete intestino, bexiga ou ureter, com risco para esses órgãos;
- endometriomas grandes ou com dúvida no exame;
- algumas situações de infertilidade, avaliadas junto com a medicina reprodutiva.
Como é a cirurgia
O objetivo é retirar os focos de endometriose e desfazer aderências, preservando o útero e os ovários sempre que possível. Ela é feita por videolaparoscopia, com pequenas incisões no abdômen e uma câmera, ou por cirurgia robótica, que é uma evolução da laparoscopia. Em casos com intestino ou bexiga envolvidos, a cirurgia pode ser feita junto com outros especialistas.
Uma revisão Cochrane de 2020 mostrou que a cirurgia laparoscópica pode reduzir a dor em comparação com a laparoscopia só diagnóstica, com evidência ainda limitada. Por isso, o planejamento cuidadoso e a indicação certa fazem tanta diferença.
Recuperação
Em geral, a internação é curta e o retorno às atividades leves acontece em poucos dias a algumas semanas, dependendo da extensão da cirurgia. Depois, o acompanhamento continua, muitas vezes com medicação para reduzir a chance de os sintomas voltarem.
Perguntas frequentes
A endometriose volta depois da cirurgia?
Pode voltar em parte dos casos, por isso o acompanhamento e, muitas vezes, o tratamento hormonal após a cirurgia são importantes.
Vou precisar retirar o útero?
Na maioria dos casos, não. A retirada do útero é reservada para situações específicas, como adenomiose associada em quem não deseja mais engravidar, e sempre discutida antes.
A menopausa acaba com a endometriose?
Com a queda dos hormônios, os sintomas costumam diminuir. Mas não é preciso esperar a menopausa para ter qualidade de vida.
Posso buscar uma segunda opinião antes de operar?
Pode e é recomendável em qualquer indicação cirúrgica. A decisão é sua, e ela fica melhor quando você entende o seu caso.
A decisão é construída junto com você
Ter um diagnóstico não significa operar amanhã. A gente explica cada opção, o que será preservado e como é a recuperação, para você decidir com tempo. As consultas são no Itaigara Memorial, em Salvador. Agende pelo WhatsApp.
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Referências
- Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022.
- Bafort C et al. Laparoscopic surgery for endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2020.
- Zondervan KT, Becker CM, Missmer SA. Endometriosis. N Engl J Med. 2020.
- Endometriosis. StatPearls. NCBI Bookshelf.
Conteúdo informativo revisado pelo Dr. Alexandre Amaral, cirurgião ginecológico com especialização em cirurgia minimamente invasiva e endometriose. CRM-BA 23614 | RQE 20180 | RQE 20181. Este texto não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.