Ultrassom com preparo intestinal ou ressonância: como os exames encontram a endometriose

Resposta curta: os dois exames mais usados para investigar endometriose são o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve feita com técnica específica para a doença. Quando feitos por profissionais treinados, eles mostram endometriomas, nódulos profundos e o envolvimento de intestino, bexiga e ligamentos, e ajudam a planejar o tratamento. Um exame normal, porém, não exclui a doença, principalmente as lesões superficiais.

Por que o exame “de rotina” pode não mostrar

O ultrassom transvaginal comum avalia útero e ovários. Ele costuma mostrar endometriomas, os cistos de endometriose no ovário, mas não foi feito para procurar lesões profundas atrás do útero ou na parede do intestino. Por isso, muitas mulheres com dor intensa ouvem que “os exames estão normais”.

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

  • Como é: um ultrassom transvaginal mais longo e detalhado, que avalia também os ligamentos atrás do útero, a vagina, a bexiga, os ureteres e o intestino.
  • Preparo: na véspera e no dia, a paciente usa laxante e lavagem intestinal conforme orientação da clínica. O intestino limpo permite ver a parede intestinal com nitidez.
  • Vantagens: é mais acessível que a ressonância, não usa contraste e permite ver o órgão em movimento.
  • Limite: depende muito da experiência de quem faz o exame.

Em um estudo brasileiro, o ultrassom transvaginal com preparo intestinal teve desempenho igual ou melhor que a ressonância e o exame clínico para encontrar endometriose profunda atrás do útero e no retossigmoide.

Ressonância magnética da pelve

  • Como é: exame deitado, sem radiação, que pode usar gel na vagina e no reto e, às vezes, contraste na veia.
  • Vantagens: mostra a pelve inteira e é útil em casos extensos, para mapear tudo antes de uma cirurgia, e quando o ultrassom não é possível.
  • Limite: também depende de um radiologista habituado a endometriose.

Como esses exames entram no tratamento

A diretriz europeia (ESHRE, 2022) considera que a imagem pode confirmar a endometriose em muitos casos e que a cirurgia não precisa ser feita só para diagnosticar. O exame também serve de mapa: mostra onde estão as lesões, qual o tamanho e se outros órgãos estão envolvidos. Isso orienta a decisão entre tratamento clínico e cirurgia e, quando há cirurgia, permite planejar a equipe necessária.

Perguntas frequentes

O exame dói?

O ultrassom transvaginal pode causar desconforto nos pontos de endometriose, que inclusive ajudam no diagnóstico. A ressonância não dói, mas é demorada e o aparelho faz barulho.

Qual exame é melhor?

Os dois são bons quando feitos por profissionais treinados em endometriose. A escolha depende do caso, do acesso e do que se quer avaliar.

Já fiz o exame e veio normal. Posso ter endometriose?

Pode. Lesões superficiais no peritônio costumam não aparecer. Se os sintomas continuam, o tratamento pode começar mesmo sem confirmação, e a reavaliação é feita no acompanhamento.

Preciso repetir os exames que já tenho?

Nem sempre. Traga tudo para a consulta. Muitos exames continuam válidos. Em alguns casos é preciso complementar, principalmente quando o exame foi feito sem preparo.

Vamos olhar seus exames juntos?

Traga seus exames e laudos para a consulta. A gente revisa cada imagem com você, explica o que está sendo encontrado e decide o próximo passo. As consultas são no Itaigara Memorial, em Salvador. Agende pelo WhatsApp.

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Referências

  1. Abrão MS et al. Comparison between clinical examination, transvaginal sonography and magnetic resonance imaging for the diagnosis of deep endometriosis. Hum Reprod. 2007.
  2. Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022.
  3. Zondervan KT, Becker CM, Missmer SA. Endometriosis. N Engl J Med. 2020.

Conteúdo informativo revisado pelo Dr. Alexandre Amaral, cirurgião ginecológico com especialização em cirurgia minimamente invasiva e endometriose. CRM-BA 23614 | RQE 20180 | RQE 20181. Este texto não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.